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Milagre de Reconhecimento |
O grande milagre
de Mugnano Muitos foram os obstáculos que esta nobre criança teve que confrontar ao seguir a alta mas árdua carreira destinada por Deus para ela. Ela era a filha favorita de pais ricos de quem herdou uma fortuna vasta. A sua beleza chamava à atenção e atraía-a para os ajuntamentos mais na moda como um objecto de admiração. Adicionado a isto ela era inteligente, animada e alegre, dotada da mais atraente personalidade e possuía um coração que transbordava de bondade e afecto.
A próxima luta que a nossa heroína estava destinada a
encontrar era de uma natureza muito mais distante. Ela perdeu a
sua mãe amada muito nova e, ao mesmo tempo, sentiu-se uma presa
duma desordem violenta que lhe atacou o corpo e a mente,
deixando-a uma verdadeira caricatura do seu ego original. Este
desafio tal como o anterior foi longo e intensamente doloroso. O primeiro trabalho dela foi a fundação da Associação do Rosário, cujos frutos são incalculáveis. A Sociedade da Propagação da Fé veio a seguir. Esta sociedade infundiu, num espaço de tempo inacreditavelmente curto, uma nova vida e vigor nas missões estrangeiras e estendeu até mais longe ainda o seu já vasto núcleo. Por meio dum único sistema - a inspiração da própria Paulina - abundantes fundos afluíram de todo o lado, permitindo aos missionários alcançar resultados que excediam em muito os seus maiores sonhos. Finalmente, senão a exclusiva Fundadora, ela teve pelo menos um papel principal no estabelecimento da Santa Infância, uma associação que anualmente salva um número incontável de bebés dos horrores e degradação do paganismo. A história de vida de Paulina é bem merecedora de uma leitura, não só é de muito interesse, mas muito mais porque nos mostra um exemplo que pode bem servir como um modelo e estímulo para outras raparigas que, como ela, poderiam fazer grandes coisas pelo mundo, tendo elas apenas a confiança necessária em Deus e em si mesmas. Infelizmente não se inclui na extensão deste trabalho um relato prolongado da Senhorita Jaricot. Nós somente recorremos a ela por causa da sua ligação com Sta. Filomena por meio da qual, como veremos, a sua saúde foi milagrosamente restabelecida e da qual ela foi instrumento para espalhar a sua devoção por toda a França e, de facto, pelo mundo. Intitulámos a cura da Senhorita Jaricot o Grande Milagre de Mugnano, primeiramente, porque o Santo Papa Gregório XVI que era uma testemunha dele declarou ser um milagre de primeira classe; secundariamente, porque foi a razão imediata pelos quais o oficio e a festa da Santa foram concedidas à Igreja universal e, ultimamente, porque, mais do que qualquer outra das maravilhas operadas em Mugnano, serviu para tornar o nome de Sta. Filomena conhecido longa e largamente. Ainda permitimos à jovem heroína contar pelas suas próprias palavras a história da sua doença e a natureza milagrosa da sua cura. A Doença de Paulina
Os preparativos para a viagem projectada tinham sido feitos em segredo, assim Paulina começou imediatamente numa carruagem para Paray-le-Monial, acompanhada pelo seu capelão, um amigo da jovem senhora e um servidor confidencial. Os poucos que souberam da sua partida disseram: "Ela não chegará à primeira pousada viva." Até mesmo aqueles que a acompanhavam temiam que qualquer balanço da carruagem causasse a sua morte. Porém, tal coisa nunca aconteceu. Ela chegou em segurança ao fim da sua viagem e resolveu os assuntos que tanto tinha no seu coração. Então disse para si mesma: "Esta primeira viagem não me matou, então deixa-me ir a Roma buscar a bênção do Santo Papa." Esta era a ambição da sua vida. Se pensarmos no que uma viagem para Roma significava nesses dias de treino ambulante pelos Alpes acima, por meio de extensos territórios selvagens e abandonados, infestadas com bandidos, poderemos formar alguma ideia acerca da fé heróica e da coragem magnífica desta jovem menina. A viagem era toda ela maçadora e cheia de perigos mas, para uma pessoa com o estado de exaustão de Paulina e com uma escolta tão pequena, era perigoso ao extremo. A morte parecia ameaçar os passos dos viajantes. As dores suportadas pela pobre inválida eram excruciantes. Só quando os seus sofrimentos eram muito intensos é que ela podia seja induzida a fazer uma curta paragem, e, até mesmo então, após um breve repouso, ela insistira, com coragem indomável, em prosseguir a viagem. Quando alcançaram Chambery, a própria Paulina perdeu a esperança e resignou-se a morrer longe de casa e longe do Vigário de Cristo. A sua fraqueza era extrema e ela perdeu completamente o uso dos sentidos, permanecendo inconsciente durante dois dias inteiros. Os alunos do Convento da cidade fizeram uma novena a Sta. Filomena pela sua recuperação e, no fim desta, ela estava muito melhor e a viagem foi retomada. A neve era tanta na estrada pelos Alpes acima que apesar dos seus poderosos cavalos e da valiosa ajuda dos robustos montanheses, o seu progresso era lento e difícil. Ao alcançar o cume do Monte Cenis uma visão gloriosa brotou nos seus olhares encantados e eles pararam durante algum tempo para contemplar o panorama magnífico que se estendia perante eles. Enquanto eles contemplavam esta cena maravilhosa, uma linda criança apareceu subitamente - ninguém sabia de onde ele vinha - e aproximando-se da carruagem onde Paulina estava deitada, sorriu docemente para ela e a presenteou-a com uma bonita rosa branca que exalou um perfume encantador. Os guias nunca tinham visto antes esta criança, que desapareceu tão depressa quanto tinha vindo, nem faziam qualquer ideia de quem que ele pudesse ser. A rosa, declararam eles, não poderia ter florescido nas montanhas. Nenhuma flor destas era encontrada nestas regiões de neve. O pequeno incidente foi afinal de contas uma consolação para os viajantes após tudo o que eles que tinham passado. Os companheiros de Paulina viram nisto um símbolo do bonito presente que ela estava a ponto de dar ao Santo Papa, nada menos do que o presente do seu primeiro grande trabalho, o Rosário Vivo, do qual a rosa branca e aromática era um perfeito emblema. "Na nossa chegada ás planícies italianas" continua ela a escrever, "nós fomos forçados a viajar de noite, pois o calor do dia era excessivo. Eu não tinha medo dos bandidos ou dos maus espíritos, uma vez que estávamos sob a protecção de Nossa Senhora e de Sta. Filomena. Assegurámo-nos de que tínhamos as medalhas delas atadas á carruagem e demos igualmente uma aos postilhões. Eram onze horas da noite quando nós alcançámos os pés da montanha do Loreto e, apesar de advertidos de que as estradas não eram seguras, continuámos na esperança de chegar cedo à "Casa da Sagrada Família" logo, (agora a Basílica de Loretto) o que fizermos assim que amanheceu sobre as colinas. Aqui novamente a inválida teve uma séria recaída, e mais uma vez toda a esperança de salvar a sua vida estava perdida. Não obstante ela melhorou após alguns dias de descanso e começou novamente a viagem para a Cidade Eterna. Durante esta última fase da viagem os seus ataques eram frequentes e ela chegou a Roma num estado quase inconsciente. As freiras do Sagrado Coração, na Trinita dei Monti, receberam-na com o maior afecto. A sua fraqueza era extrema e era simplesmente inconcebível que ela pudesse deixar o convento. Assim depois de uma longa e perigosa viagem na qual ela desafiou tantos perigos e a própria morte, ela teve de parar mesmo no limiar do Vaticano. Ela não podia ir mais longe. A Santa Mãe e Sta. Filomena estavam com ela e ela não estava para perder a sua recompensa. O Santo Papa logo ouviu falar da sua chegada a Roma e atento ao estado de exaustão na qual ela estava, resolveu com afecto verdadeiramente paternal ir ele mesmo visitar “a sua querida filha" que ele ternamente amava e que merecia tanto bem da Santa Igreja Era seguramente uma honra extraordinária mas uma consolação ainda mais extraordinária para esta menina tão humilde receber a visita do Vigário de Cristo que veio expressamente, não somente para visitar e consolar mas para agradecer e a abençoá-la. O Santo Papa abriu o seu grande coração e agradeceu-lhe nos termos mais afectuosos. Ele disse à “sua querida filha" o quão agradado estava com tudo o que ela tinha feito; ele elogiou a sua grande coragem e fé ardente em vir a Roma, e abençoou-a abundantemente. Era como uma visita de Nosso Senhor, Pois no seu Vigário ela via e reverenciava o próprio Mestre. Vendo o quão exausta ela estava, pediu-lhe que rezasse por ele quando ela chegasse ao Céu. "Sim, Santo Padre", respondeu ela, "eu prometo fazê-lo, mas, se no meu regresso de Mugnano eu voltar bem eu e vier a pé até ao Vaticano, sua Santidade dignar-se-á a prosseguir sem demora com o inquérito final da causa de Sta. Filomena?" "Sim, sim, minha filha", respondeu o Papa, "Pois isso, realmente seria um milagre de primeira classe. Virando-se para os Superiores o Santo Papa disse em italiano; "O quão doente nossa filha está! Ela parece como que à beira da sepultura. Nós nunca mais a veremos. Ela nunca regressará." Paulina entendeu o que ele disse mas sorriu apenas confiantemente. Ao partir, o Papa a abençoou-a novamente e disse ao Cardeal Lambruscini que o acompanhou; "Recomendo-lhe a minha querida filha. Conceda-lhe todas as indulgências e privilégios que é possível dar." Era agora Agosto e o calor era aterrador. A pequena viagem para Mugnano começou era necessário viajar de noite e descansar de dia. Eles chegaram ao Santuário na véspera da festa de Santa Filomena. Os napolitanos e as multidões de todos os distritos vizinhos que se reuniram no Santuário para a festa agitaram-se com a excitação quando ouviram quem era Paulina e porque e de onde ela tinha vindo. Por um lado a sua simpatia para com ela, por outro lado o ciúme deles para com a reputação da sua querida padroeira despertou o maior entusiasmo. Aqui estava esta Senhora francesa, tão amada pelo Santo Papa, que tinha feito tanto pela religião, tinha atravessado centenas e centenas de milhas, pela neve dos Alpes, pelas íngremes montanhas, desafiando sérios riscos e a própria morte para invocar Sta. Filomena - Ela devia ser curada. "Querida Sta. Filomena" gritavam eles, " tens de curar esta querida senhora que veio de uma distância tão grande para pedir a tua ajuda. Ela fez o suficiente por Deus e por Nossa Senhora para que a cures. E então, batendo na urna da Santa, como num tom ameaçador, eles clamavam! "Estás-nos a ouvir, Filomena? Se não ouvires as nossas orações imediatamente nós nunca mais te invocaremos nenhum mais, estará tudo acabado entre nós. Tanto pior para ti grande Santa." O alvoroço tornou-se tão aterrador que Paulina mal podia suportá-lo. No dia seguinte, na festa, quando Paulina recebeu a Sagrada comunhão perto da Urna da Santa, ela experimentou dores tão assustadoras por todo o seu corpo, e o seu coração batia tão violentamente que ela desmaiou. À vista daquilo que eles pensaram ser a morte as multidões começaram a gritar e vociferar tanto que se pensou ser mais seguro levar a cadeira na qual Paulina estava deitada, para fora da Igreja. Contudo, ela recuperou a consciência suficiente para fazer sinal de ser deixada perto da Urna, na qual ela fixou os olhos com uma expressão do mais profundo afecto. Subitamente uma afluência abundante de calorosas lágrimas brotaram dos olhos dela, a cor voltou ás suas bochechas, saudável voltou às suas bochechas, um caloroso e uma sensação saudável espalhou-se pelos seus membros entorpecidos. A alma dela foi inundada com tal alegria divina que ela pensou que estava a ponto de entrar no Céu. Mas não era a morte, era a vida, a bem amada Filomena tinha-a curado, e ela estava reservada durante longos de luta e labor que terminariam num glorioso, apesar de não-sangrento martírio. Apesar dela sentir que estava curada, Paulina não ousou por alguns momentos revelar o facto, temendo a explosão de entusiasmo que era certo provocar. Contudo, o Superior do Santuário que compreendeu o que tinha acontecido, ordenou que repicassem todos os sinos e anunciassem o milagre. As multidões ao ouvir as notícias ficaram frenéticas de alegria e estavam literalmente fora deles mesmos de tanta felicidade. A Igreja e as ruas soavam com os seus gritos. Vivas, vivas ressoavam de todos os lados. Seria impossível descrever adequadamente esta excitante e magnifica demonstração de fé. "Viva Sta. Filomena, Viva a nossa querida Santa. Viva a grande Virgem e Mártir - Viva a boa Senhora francesa! No seu vivo entusiasmo eles apressaram-se para Paulina e quiseram levá-la em triunfo aos seus ombros. Contudo isto, ela recusou-se absolutamente a permiti-lo. Idolatrada pelas pessoas, Paulina permaneceu em Mugnano durante algum tempo, transbordando a sua alma de alegria. Ela passava longas horas em doce colóquio aos pés da sua Divina benfeitora e grandes eram as graças que ela recebia, mais ainda para a alma do que para o corpo. Finalmente, quando o dia da partida chegou e ela teve de se retirar do Santuário, ela levou consigo uma grande relíquia de Sta. Filomena que ela colocou numa estátua de tamanho real, da santa. Este foi vestida com mantos reais, foi lhe destinado o lugar de honra na carruagem e foi saudada por todos como sendo a "Princesa do Paraíso. Nas várias fases da viagem, os cocheiros que tinham trazido Paulina para Mugnano, mais como um cadáver do que como uma pessoa viva, gritaram: "Um milagre, um milagre." "Viva Sta. Filomena." A este grito a multidão costumava aglomerar-se, trazendo grinaldas e guirlandas que atavam à carruagem, enquanto invocavam o nome da Santa com a mais intensa devoção e amor. Nápoles estava profundamente comovida com a chegada da beata. Uma emoção atravessava as pessoas. O Bispo recebeu Paulina com grande honra e, na presença do Núncio Apostólico e do Rei de Sicília, deu-lhe o sangue de S. Januário a beijar e venerar. Abençoada e invocada em todo o lado, a "Princesa do Paraíso" e a sua escolta logo chegaram a Roma onde, para melhor desfrutar da surpresa do Santo Papa, Paulina não tinha anunciado a sua cura. Quando ela se apresentou no Vaticano usufruindo de completa de saúde e a seu favor o poder da Virgem Mártir? Realmente, "Sou de facto eu, Santíssimo Papa", respondeu ela, "quem sua Santidade viu tão recentemente às portas da morte e para quem Sta. Filomena olhou com piedade. Considerando que ela me devolveu a minha vida dignai-vos, Santo Papa, dar-me a permissão para construir uma capela em honra da minha benfeitora." "Certamente", respondeu o ouvir dos próprios lábios dela os detalhes da cura. No seu deleite e espanto, ele pediu que ela andasse para cima e para baixo na sua presença. "Novamente, novamente, mais rápido, mais rápido" exclamou ele rindo. "Eu quero ter a certeza de que o que vejo não é uma aparição do outro mundo mas realmente e verdadeiramente a minha querida filha de Fourvière." E enquanto a sua querida filha caminhava de um lado para o outro, ela naturalmente, sem intenção, voltou-se de costas para o Papa. O Mestre de cerimónias recordou-lhe apressadamente que ela não devia virar-se de costas para o Santo Papa, ao qual o Papa disse com um sorriso: "Tolice, não se aborreça com isso. O próprio Deus fez maiores excepções em favor dela. O Soberano Pontífice pediu então que Paulina permanecesse em Roma durante um ano inteiro, para que o milagre pudesse ser investigado totalmente. Durante o qual ele lhe conferiu muitos e grandes privilégios, e deu ordens para que fosse feito um inquérito imediato à causa de Sta. Filomena. No fim do ano, com a bênção do Vigário de Cristo, Paulina voltou a Fourvière. Paulina-Maria Jaricot Com dezessete anos ela começou a levar uma vida fora do comum, de abnegação e de auto-sacrificio, e no dia de Natal de 1816, fez um voto de virgindade perpétua. Para consertar os pecados de negligência e ingratidão cometidos contra o Sagrado Coração de Jesus, ela estabeleceu uma união de oração entre jovens e piedosas servas, cujas membros eram conhecidas como as "Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus Cristo." Durante uma longa visita à sua irmã casada, em São-Vallier (Drôme), ela teve sucesso na total transformação das licenciosas vidas de numerosas raparigas empregadas pelo seu cunhado. Foi entre elas e as "Reparadoras" que ela solicitou primeiramente ofertas para as missões estrangeiras. A organização sistemática de tais datas recolecções data de 1819, quando ela pediu a cada um dos seus amigos íntimos para agir como promotores, achando dez sócios para contribuir com um cêntimo por semana para a propagação da Fé. Um em cada dez promotores juntavam as recolecções dos seus amigos promotores; pela extensão lógica deste sistema, todas as ofertas eram remetidas no final para um tesoureiro central. A Sociedade para a Propagação de Fé na sua fundação oficial (3 de Maio de 1822) adoptou este método e facilmente triunfou sobre a oposição que tinha tentado desde o inicio contrariar a realização dos planos de Paulina Jaricot. Em 1826 ela fundou a Associação do Rosário Vivo. As quinze dezenas do Rosário foram divididas entre quinze membros, cada um dos quais tinha de recitar diariamente apenas uma determinada dezena. Um segundo objecto da nova fundação era a expansão de bons livros e artigos de devoção. Um empreendimento de Paulina no interesse da reforma social, apesar de ter começado com prudência, envolveu-a em consideráveis dificuldades financeiras e terminou em fracasso. A causa da sua beatificação e canonização foi apresentada em Roma. |
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