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S. João Baptista Vianney (Cura d'Ars), padre

O Cura de Ars e Sta. Filomena
No seu regresso a França de Mugnano, Paulina Jaricot foi visitar o seu querido amigo, o Venerável Cura de Ars, a quem ela contou toda a história da sua cura milagrosa.  A senhorita  Jaricot deu ao Cura uma porção das relíquias que tinha obtido de Mugnano, proferindo estas palavras proféticas; "Tenha plena confiança nesta grande Santa, ela obterá para si tudo aquilo que você lhe pedir."

Enquanto o santo padre a escutava com uma atenção extasiada sentiu um amor ardente para com a Pequena Santa acender-se no seu coração.  Intensa era sua a alegria quando Paulina lhe ofereceu uma parte das preciosas relíquias que ela tinha trazido consigo. Imediatamente, uma capela foi erguida na sua igreja em honra da Virgem Mártir, onde a relíquia foi devidamente colocada.  Esta capela tornou-se  logo cenário de inumeráveis curas, conversões e milagres.  M. Vianney dedicou-se por voto especial a Santa Filomena, e uma maravilhosa intimidade se tornou evidente entre o bom padre e ela, a  quem ele então considerou a sua Padroeira Celestial. Ele fez tudo por ela e ela fez tudo por ele. Ela apareceu-lhe, conversou com ele e concedeu-lhe tudo em resposta às suas orações.  Ele chamava-a pelos mais ternos nomes e ela ficava encantada em conceder-lhe os mais maravilhosos favores. O seu dom dos milagres era extraordinário, contudo, longe de produzir nele a mais leve noção de vaidade, essa era a maior cruz que ele tinha de aguentar.  Ele queria lançar toda a culpa sobre Sta. Filomena. "É Sta. Filomena. Quem me dera que ela fosse operar os seus milagres longe daqui" Diria ele rindo.  Mas ao mesmo tempo a Santinha parecia ter grande prazer em arreliar o seu santo amigo executando as suas maravilhas pelas suas mãos.  Em certa ocasião uma pobre mulher  no meio duma igreja cheia pediu que abençoassem o seu filho doente.  O Venerável Cura não pôde resistir às súplicas da pobre mãe.  Ele abençoou a criança e a sua saúde foi imediatamente restabelecida.  "Oh! Oh"! disse o santo homem, cheio de confusão, saindo à pressa para a sacristia: "Quem me dera que Santa Filomena tivesse curado a criança em casa."

A todo o momento ele falou da sua "querida Santinha".  Em pouco tempo, toda a França vibrava com o nome dela.  Cada diocese tem altares e capelas e igrejas dedicadas à Taumaturga. Só em Langres havia mais de doze igrejas consagradas à sua honra.  As suas três festividades, a 11 de Agosto - a sua festa principal, a 25 de Maio – a descoberta das suas Relíquias, e o Domingo, na oitava da Ascensão – a festa do seu Patronato, começaram a ser celebradas com grande pompa e imensas multidões.

Um novo laço de amor.
Das muitas maravilhas a serem vistas em Ars durante a vida do seu santo pastor, nenhuma era maior do que a própria vida diária deste santo homem.  O seu corpo delicado estava tão extenuado com tais jejuns rigorosos e exercícios penitenciais que a sua magra aparência enchia as visitas de pavor. Não suportando a sua fraqueza extrema, o trabalho incessante que ele assumia cada dia era bastante para deixar exausta a força mais hercúlea, com a qual ele fosse dotado.  Dia após dia, as multidões aglomeravam-se em Ars vindas não só de todas as partes de França, mas também de Inglaterra, da Irlanda, da Alemanha e de outros países da Europa. Os doentes, as almas tristes, as santas almas, tal como os pecadores mais abandonados reuniam-se ao seu redor procurando a sua confessionário. Eles passavam longas horas, até mesmo dias, esperando pela sua vez para colocar as suas tristezas no seu coração amoroso, ou pedir a solução de alguma subtil dificuldade, ou contar-lhe os pecados e maldades de toda uma vida.  Um olhar dele ia directamente para o coração do pecador mais réprobo mais endurecido.  O seu sorriso angelical trazia conforto ao mais aflito.  Uma palavra -  aparentemente inspirada - resolvia a mais complicada dúvida.  Mas como é que ele vivia! Este era o milagre de Ars.

Todas as noites durante o mês de Maio, era vontade dele dar uma pequena lição. No terceiro dia, assim que começou a falar, ele ficou tão doente, que foi obrigado a deixar o púlpito e ir para a cama. Descobriu-se que ele sofria dum sério ataque de pneumonia.  Durante os próximos dias ele ficou muito pior; a febre era constante, e síncopes após síncopes  se sucediam rapidamente.  Três médicos consultaram-no e declararam que não havia nenhuma esperança. Toda a paróquia estava em lágrimas.  "Não pode fazer a mínima ideia", escreveu a Senhorita Condessa des Garets, numa carta datada de 10 de Maio de 1843, "do espectáculo comovente e piedoso que esteve perante os nossos olhos desde o inicio da doença do santo homem. Uma pessoa não vê senão lágrimas, não ouve senão orações e soluços.  Não obstante, a igreja que parece desolada sem ele enche-se continuamente de multidões chorosas, implorando ao Céu de alma e coração através de orações, e actos de fé ingénua, e devoção comovente… queimam-se velas em todos os altares, os rosários estão em todas as mãos.  Durante os primeiros dias, os guardas foram obrigados a colocar-se  à porta do presbitério, para afastar a multidão ansiosa que o cercava, pedindo para ver o venerável Cura mais uma vez, e para receber a sua última bênção. Eles só conseguiam acalmar o seu fervor, de cada vez que havia noticia de que o santo, levantando-se do seu leito de sofrimento, daria uma bênção geral."

O Confessor de M. Vianney era da opinião que os últimos Sacramentos deviam ser administrados.  Como os médicos tinham recomendado que ele deveria ser poupado de todas as emoções fortes, os padres que estavam presente em Ars, concordaram que não se deveria tocar o sino.  O Cura ouviu a conversa deles, e virando-se para a pessoa ao lado da sua cama disse: "Vá, e mande tocar os sinos; não podem os paroquianos rezar pelo seu Cura?"  

Aos primeiros toques do sino as casas estavam desertas como se por magia, e toda a paróquia acompanhava o Viaticum ao limiar do presbitério.  Os padres, o próspero Conde des Garets, entraram no quarto do doente, enquanto a multidão se ajoelhava no jardim da casa, e na praça da aldeia, lamentando e rezando.  Quando perguntaram a M. Vianney se ele acreditava em todas as verdades da religião, ele respondeu: "Nunca duvidei de nenhuma"; se ele perdoava aos seus inimigo: "Graças a Deus, nunca desejei mal a nenhum."

Como esta cerimónia é descrita na carta à Condessa des Garets supracitada, datada de 10 de Maio, sem dúvida alguma isto deu-se nesse ou no dia anterior.

Na manhã seguinte, o médico aproximando-se do doente sentiu o seu pulso, e depois pensando que já não ouvia o pulso, disse em voz alta", Ele tem apenas alguns minutos de vida."

O agonizante ouviu distintamente o diagnóstico que o concedesse uma suspensão, e atrasasse o terrível momento por ainda mais um tempo.

Quatro meses depois,  ele mesmo descreveu a angústia deste momento trágico à sua família, quando estava mais uma vez em Dardilly, entre eles.  "Assegure-se, prima, "disse ele à Senhorita Fayolle de Ecully, "de que quando assiste os agonizantes fortalecendo-os e preparando-os para comparecer perante Deus, de nunca cessar as suas exortações até que eles tenham partido de facto.  Pois isto foi o que me aconteceu a mim há pouco tempo atrás,  a quem todos deram por morto, e abandonado, sem sequer uma palavra de conforto, porque eles estavam tão certos de que a minha última hora tinha chegado.  Eu estava em medo mortal do Julgamento de Deus quando o médico, após sentir o meu pulso, disse, "Ele tem apenas alguns minutos de vida." Ao ouvir essas palavras eu pensei, "Em alguns minutos eu aparecerei perante Deus: e – de mãos vazias." Então, recordando as muitos pessoas, que tinham vindo de tão longe para fazer as suas confissões, e que estavam implorando à Santa Virgem e a Sta. Filomena por mim com todo o seu coração, eu disse para mim mesmo: "Senhor! Se ainda me puderes usar não me retires deste mundo." E assim que falei, senti o meu vigor renovado; e todas as minhas forças voltaram."

No momento exacto em que M. Vianney foi tão milagroso restabelecido para a vida; uma Missa estava sendo dita por ele no altar de Sta. Filomena. Pertinente, o professor da escola da paróquia - que nunca deixou o doente nem de noite nem de dia. Estava à sua cabeceira, e viu distintamente reflectidas na face dele as emoções - para ele inexplicáveis - do drama que estava a acontecer na sua alma.  No seu testemunho, no processo de Beatificação, ele relata, "Antes do padre começar a oferecer o Santo Sacrifício, a atitude de M. Vianney pareceu-me ser a duma pessoa em terror mortal.  Eu notei algo de extraordinário nele, grande ansiedade, e uma perturbação invulgar. Observei todos os seus movimentos com atenção redobrada, pensando que a hora fatal tinhachegado, e que ele estava a ponto de dar o seu último suspiro.  Mas assim que o padre chegou ao Altar ele ficou tranquilo de repente. Era como se ele estivesse a ver algo agradável e tranquilizador; e a Missa mal tinha terminado quando ele exclamou, 'Meu amigo! uma grande mudança acaba de se dar em mim....Eu estou curado.'"

Neste momento a doença deixou-o de facto e, pouco a pouco, a sua força voltou, de forma que na sexta-feira 19, ele pôde ser levado para a igreja como um convalescente.  Lá ele caiu de joelhos dele perante o Tabernáculo, sem dúvida consagrando ao Serviço de Deus os anos de vida que lhe restassem.

Então ele foi e rezou durante um bom tempo, na Capela da sua pequena santa favorita, a cuja intercessão, como ele declarou, a sua recuperação se devia.

Conversões em  Ars e o que Sta. Filomena tinha a ver com elas

Agora mais do que nunca era Sta. Filomena que operava maravilhas para o seu santo amigo.  Quando grandes pecadores vinham até ele, após os ter exortado a entristecer-se e os ter movido ao arrependimento, ele costumava enviá-los ao altar de Santa Filomena para lhe pedir que lhes obtivesse a conversão.  Iremos citar dois dos inumeráveis exemplos.

Um distinto sábio de Lyons, M. Massait, empreendeu numa exploração científica nas montanhas francesas.  Um dos seus companheiros viajantes, um velho amigo que ia para Ars disse-lhe: "Venha a Ars e eu lhe mostrarei um Cura que opera milagres."

"Milagres, meu amigo." Disse ele rindo, "eu não acredito em milagres."

"Bem, venha e eu prometo que você verá e acreditará."

"Se você pudesse fazer-me acreditar, isso seria realmente um milagre.  Mas como Ars não está longe do local das minhas explorações, não me importo de ir." O resto da história, deixaremos que M. Massait a conte nas suas próprias palavras. "Chegando a Ars, o meu amigo colocou-me na casa da Viúva Gaillard, onde ambos partilhámos o mesmo quarto.  De manhã cedo, ele chamou-me: "Massiat, faz me um favor? Vem à Missa comigo?"

"Ir à Missa? Porquê, homem" respondi, "eu nunca mais fui à Missa desde a minha primeira Comunhão. Peça-me outra coisa qualquer."

"Você virá, velho amigo, só para me fazer um favor.  É lá que você pode ver e julgar o Cura por si mesmo.  Só lhe peço que use os seus olhos.  Vou arranjar-lhe um lugar onde você pode estar à sua vontade."

“ Bem, francamente não é muito do meu agrado.” Repliquei eu, “mas irei apenas para te fazer a vontade.”

Entrámos na Igreja. O meu amigo mandou-me sentar em frente da Sacristia. Pouco depois a porta abriu-se e o Cura, vestido para a Missa, apareceu. Os seus olhos cruzaram-se com os meus por um instante, mas o olhar foi directo ao meu coração. Senti-me esmagado pelo seu olhar. Inclinei a cabeça e cobri o meu rosto com as mãos. Durante toda a Missa eu estava imóvel. Quando esta acabou tentei levantar a minha cabeça e levantar-me para sair da Igreja. Assim que passei à porta da Sacristia ouvi três palavras: “Saiam todos” e uma longa mão esquelética pousou no meu braço e senti-me irresistivelmente arrastado para a Sacristia como que por uma força invisível. A porta fechou-se atrás de mim. Senti-me atraído por aquele olhar que parecia esmagar-me.

*Disse bruscamente algumas palavras confusas: "Padre Reverendo, eu tenho um fardo nos meus ombros que me abate" Então eu ouvi o que parecia uma voz angelical, tal como eu nunca tinha ouvido antes, tão doce que não parecia vir dum homem mortal.

"Você tem que se libertar imediatamente do fardo.  Ajoelhe-se; conte-me a sua pobre vida.  Nosso Senhor levará o fardo, meu amigo." Então eu comecei a minha confissão, era a história de toda a minha vida desde a minha Primeira Comunhão, pouco a pouco senti-me aliviado, depois consolado e finalmente completamente descansado.  Quando eu terminei, o Santo padre acrescentou: "Volte amanhã, mas agora você irá até ao altar de Sta. Filomena e lhe dirá para pedia a Deus a sua conversão. " Eu não chorei na sacristia mas confesso que chorei abundantemente no altar de Sta. Filomena."

Esta conversação era uma das mais notáveis que aconteceram em Ars. M. Massait viveu desde então uma vida muito fervorosa que foi coroada por uma feliz morte.

O seguinte é o testemunho dado por um religioso da sua própria conversão.

"Embora tivesse sido criasse por uma mãe católica eu cedo me tornei um jovem vagabundo dissoluto e, após uma curta ausência de casa, contraí vícios escandalosos.    O meu pai prestava pouca ou nenhuma atenção à minha mas o meu comportamento partia bastante o coração da minha mãe. Tomando como ofensa algumas palavras de correcção, eu decidi tornar-me soldado julgando assim poder desfrutar melhor da minha liberdade. Antes de me juntar ao meu regimento, a minha mãe implorou-me de lágrimas nos olhos, como uma última prova de amor, ir com ela para Ars. Eu ri-me directamente na sua cara e ridicularizei à ideia de ir à confissão.  Ela implorou-me que pelo menos fosse para Ars, mesmo que eu não me confessasse.  As suas lágrimas e súplicas comoveram-me e eu consenti em ir, mesmo que de má vontade.  Mas novamente a tentação me esperava, à minha chegada, eu encontrei dois dos meus companheiros que criticaram a ideia da influência do Cura.  Por nenhuma outra razão senão para agradar à minha mãe eu fui à igreja onde M. Vianney ensinava o catecismo às crianças.  A sua aparência abalou-me violentamente e quando os seus olhos dele se cruzaram com os meus, eles pareciam ver nas profundezas da minha alma. Eu comecei a acreditar no que já tinha ouvido, que o Cura via o que se passava nas consciências daqueles que se aproximavam dele. Mas tão fraca a natureza do homem que ao encontrar os meus amigos depois da lição, eu e os meus companheiros divertimo-nos a fazer piadas às custas do venerável padre.

Mais uma vez a minha mãe induziu-me a ir à igreja, mas mal eu lá estava logo desejava  partir.  Tal foi o meu espanto quando nesse preciso momento se abriu a porta da sacristia e o Cura veio directamente até mim, fazendo-me sinal para o seguir, o que eu fiz sem saber para o que ia! Eu caí de joelhos e chorei.  Vendo-me comovido, o Santo padre mandou-me ir ao altar de Sta. Filomena dizer 5 Pais-nossos e Ave-marias. Eu fui.  Era a hora da graça.  Algo estranho me aconteceu que eu não consigo explicar.  O meu coração começou a bater com tal violência que eu fiquei completamente amedrontado.  Não sei quanto tempo permaneci lá.  Perdi completamente a noção do tempo.  O que eu sei é que, quando me levantei eu já não era o mesmo homem. As lágrimas sufocavam-me. Eu tive que sair e respirar ao ar livre.  Os meus dois amigos, ao verem-me exclamaram: "Oh, como você está mudado! Você tem todo o aspecto de estar convertido." "Talvez sim", respondi eu, e virei-me bruscamente.  Embora eles fizessem as mais deliberadas tentativas para me tentar, graças a Deus eu estava à prova de qualquer tentação e desfrutado agora das felicidades da vida religiosa desde há dezasseis anos." Encheria um volume inteiro para contar todas as maravilhas que Sta. Filomena operou pelas orações do querido Cura. A capela dela era um verdadeiro santuário de maravilhas.  Milhares entravam em peregrinação para pedir a sua intercessão. Oferecimentos de Ex-votos de todo o tipo imaginável testemunhavam os milagres operados, os favores obtidos, as conversões forjadas, as bênçãos concedidas, as orações respondidas.  Porém, um favor que o Santo padre pediu em vão, era que ela fizesse os seus milagres noutro lugar onde não fosse provável que as pessoas os atribuíssem a ele. Esta oração a pequena Santa recusou-se persistentemente a ouvir, porque ela encantava-se fazendo as suas maravilhas através do instrumentalismo dele ou em resposta às suas orações. Com esta única excepção, existia  uma perfeita compreensão entre os dois de forma que o Cura sentia a presença dela como se estivesse ao seu lado.

Em resposta a alguém que repetidamente lhe pedia para curar uma amiga, ele respondia: "Não, não, Sta. Filomena já a curou uma vez.  Ela não soube fazer bom uso disso.  Não é provável que a pequena Santa faça isso novamente." Se, porém ele não obteve a sua cura, ele obteve para a pobre inválida graças abundantes, paciência, força e consolações divinas.

 A um religioso que foi enviado pelo seu superior para solicitar a cura dum membro da sua ordem cuja morte seria uma grande perda para a sua comunidade, M. Vianney respondeu: "Não, não. Ele está a fazer muito mais pela sua salvação e pela a sua ordem assim.  Ele não será curado."

Estas eram as excepções, os incontáveis milagres, curas e conversões eram a regra.

O venerável Cura de Ars foi educado por Deus para servir como modelo e padroeiro dos padres. Não é esperado que estes aspirem os seus extraordinários dons ou que imitem os seus rigores extremos.  Isso não é possível sem um chamamento especial de Deus. Mas podem facilmente seguir o seu exemplo de  outras formas. Por exemplo, o que poderia ser mais fácil do que imitar a sua doce intimidade, a sua confiança ilimitada, a sua terna devoção a Sta. Filomena? Se os padres apenas colocassem uma estátua desta grande Taumaturga nas suas igrejas e espalhassem a sua devoção, tanto no púlpito como no confessionário, as igrejas logo se tornariam centros de devoção e graças abundantes fluiriam sobre o pastor e as pessoas.  Os doentes, os tristes, e, acima de tudo, os pecadores mais endurecidos colheriam logo os benefícios da poderosa intercessão da Santa.


Nascido em Dardilly (próximo de Lyons), França, no dia 8 de Maio de 1786; falecido em Ars, a 4 de Agosto de 1869; beatificado no dia 8 de Janeiro de 1905, pelo Papa Pio IX; canonizado pelo Papa Pio XI em 1925; em 1929, ele foi declarado o padroeiro principal dos padres paroquianos.

"Nós não podemos compreender o poder que uma alma pura tem junto a Deus. Não é a alma que faz a vontade de Deus, mas Deus que a vontade da alma." - São João Vianney.

Sem a sua vontade de ferro, seria muito improvável que João Baptista Vianney tivesse sido ordenado.  Ele era filho dum pequeno fazendeiro perto de Lyons e foi criado durante a Revolução francesa e nos tempos póstumos. Ele teve que fazer a sua Primeira Comunhão em segredo quando tinha 13 anos, porque a Igreja ainda era perseguida.  Quando este pastor, na fazenda do seu pai Mateus, alcançou os 18 anos e decidiu que estava a ser chamado para o sacerdócio, a adoração aberta ao publico foi novamente permitida.  Infelizmente, o pai de João não dispunha de meios para o enviar para escola a fim de ter a educação adequada.

Dois anos depois ele conseguiu entrar na escola-presbitério do Abade Balley na aldeia vizinha de Ecully, mas ele teve dificuldades em manter o ritmo dos outros porque tinha recebido pouca educação prévia (um único ano quando tinha nove anos).  O João estava seguro da sua meta, e assim persistiu.

John Baptist Vianney (Curé d'Ars), Priest (RM)Apesar de ser seminarista, através dum erro, ele foi enviado para o exército em 1809.  Ordenaram-lhe que se apresentasse no depósito em Loyons a 26 de Outubro de 1809, mas dois dias depois de receber a ordem ele foi hospitalizado e a sua companhia deixou-o para trás.  No dia 5 de Janeiro, ainda enquanto convalescente, ordenaram-lhe que se apresentasse no dia seguinte em Roanne para outra missão. Eles partiram sem ele, porque ele tinha parado para rezar na igreja.  Ele tentou alcançá-los em Renaison, apesar do único equipamento militar que ele tinha ser uma mochila.

Enquanto ele descansava nas proximidades das montanhas de Le Forez, um estranho apareceu de repente, apanhou a sua mochila, e ordenou que o seguisse.  Ele deu por si numa cabana perto da remota aldeia na montanha de Les Noës. O estranho era um desertor do exército, um dos muitos que se esconderam nos bosques e colinas da área. Vianney viu que a situação era comprometedora, e apresentou-se se ao major da comunidade.  O senhor Fayot era humano e sensato; ele explicou a João que este já era considerado um desertor, e que dos dois males o menor era permanecer em refúgio onde estava. O perfeito encontrou um lugar para Vianney na casa do seu próprio primo, onde João permaneceu escondido num estábulo durante 14 meses.  Por várias vezes ele quase foi encontrado pelos guardas, uma vez chegou mesmo a sentir a ponta duma espada entre as sua costelas quando esta foi enfiada  no meio do feno.

Ele pôde voltar para casa quando Napoleão concedeu a amnistia a todos os desertores em 181, na ocasião do seu matrimónio com a Arquiduquesa Maria-Luisa. O ano seguinte ele foi tonsurado, então passou um ano a estudar filosofia no seminário menor em Verrières. Em 1813, João entrou no seminário principal em  Lyons. Ele nunca dominou o latim; por isso, ele foi chamado "o a mais iletrado mas o mais devoto seminarista de Lyons." De facto, a sua bolsa de estudos era tão má que ele desistiu após o primeiro período, foi ensinado em privado pelo abade Balley, e depois fracassou nos exames do seminário. Apesar disso, a sua reputação pela sua bondade e santidade era tão forte que o vigário geral lhe permitiu tomar ordens secundárias no dia 2 de Julho de 1814, e ser ordenado para o sacerdócio no ano seguinte, dizendo, "A Igreja deseja não deseja apenas padres eruditos mas, mais ainda, santos padres."

Ele passou os próximos anos como cura para o Abade Balley em Ecully, até que o seu mentor morreu em 1817.  Em meados de 1818 ele foi designado como padre da paróquia da minúscula aldeia de Ars-en-Dombes (população: 230).  Ele eprmaneceu lá até morrer 41 anos depois, e o seu efeito era extraordinário.  Dez anos de paciência, bom exemplo, e a misteriosa  efusão da Divina graça transformou Ars da apatia numa aldeia próspera em espírito Cristão.  Ele começou por visitar pessoalmente cada casa de iniciativa própria e providenciou uma classe de catecismo regular para as crianças. Mais importante era a sua oferta dum exemplo pessoal de pureza e fervor e o seu corajoso ataque aos males difundidos da embriaguez, profanação, imodéstia, e desleixo em  assistir à Missa ou guardar o Sábado como sagrado. Ele não teve medo de proferir as palavras do púlpito e expressões que ofendiam a Deus para assegurar que não havia nenhum engano sobre o que ele estava a denunciar.  Ele estava constantemente consciente da sua responsabilidade pelas almas dos seus paroquianos e gradualmente havia conversão porque a sua severidade no púlpito estava unida à sua perspicácia extraordinária e ao poder de conversão no confessionário.  O rebanho dele diria, "O nosso pastor é um santo e nós temos de lhe obedecer.”

Dois milagres ajudaram o cura a ganhar a atenção do seu povo.  João Vianney encorajou Catherine Lassagne e Benedicta Lardet a abrirem uma escola gratuita para raparigas e três anos depois, em 1824, esta tornou-se uma instituição conhecida como a Providência, um abrigo para órfãos e crianças abandonadas. Nunca ninguém quis sair de lá e às vezes chegava a haver 60 pessoas a viver lá, de forma que as esmolas das quais dependia a sua existência, nem sempre eram suficientes.  Uma vez o cozinheiro tinha apenas algumas libras de farinha, mas graças às orações de Vianney, ela fez deles dez pães de 20-libras.  Noutra ocasião um sótão que tinha estado quase vazio foi encontrado cheio de trigo.

E logo o humilde Cura d'Ars cuja reputação por santidade foi aumentada pelos relatos destes milagres, atraia penitentes de todas as partes da Europa. Um santuário que ele construiu para Santa Filomena tornou-se num lugar de peregrinação.  Tão grande era a sua perspicácia nos problemas das pessoas que se dizia que por volta de 1855 o seu numero de visitantes era cerca de 20,000 por ano, e teve de ser aberta uma nova bilheteira especial para a via férrea em Lyons. Claro que, o sucesso de Vianney incitou o ciúme entre alguns dos seus irmãos padres que o acusaram de ser demasiado zeloso, ignorante, um charlatão, e mentalmente desequilibrado, e começaram a espalhar mentiras difamadoras acerca dele. Estas foram provadas serem sem fundamento, e o seu  bispo, Monsenhor Devie, respondeu-lhes, "eu desejava, cavalheiros, que todo o meu clero tivesse um toque desta mesma loucura."

O número de visitantes também significava um dia de trabalho que teria esmagado aqueles com menos força espiritual.  Durante os meses de Inverno, Vianney passou diariamente mais de 12 horas no confessionário; no verão isto aumentou para 16 horas.  Ele podia levar uma meia hora para se movimentar da igreja até à reitoria por causa da densidade da multidão que buscava a sua bênção e pedia as suas orações.  Ele dormia umas meras quatro horas de noite e ia antes do amanhecer ouvir as confissões daqueles  que já o estavam esperando na igreja. Inumeráveis pessoas testemunharam que Vianney era dotado duma habilidade notável para ler as almas, discernimento de espírito, e profecia.  As instruções que ele dava eram frequentemente curtas mas tinham todo o poder e perspicácia da sua santidade.  A sua simplicidade absoluta comovia a muitos.  Ele desencorajava a falsa piedade e dava profundos conselhos. O Arcebispo de Auch disse que Vianney lhe tinha dito, "Ame muito o seu clero." E que mais era necessário?

É digno considerar que este homem tenha desejado tornar-se um Cartesiano e vivesse em tranquila contemplação, mesmo seguindo os planos de Deus para com ele, ele atraiu muitas pessoas para Deus e para a Igreja. Três vezes ele deixou Ars à procura de solidão, mas voltou sempre para ajudar os pecadores que procuravam em quantidade sempre crescente.  A última vez foi necessária a diplomacia do bispo para conseguir que ele voltasse.

Em 1852, o Bispo Chalandon de Belley fez de Vianney um cânon honorário da época.  Ele foi investido quase à força e nunca mais usou a mozzetta.  Na verdade, ele vendeu-a por 50 francos necessários para algum propósito de caridade.  O governo francês em 1855, fez dele cavaleiro da Legião de Honra. João Vianney estava pasmo.  "Suponhamos que eu morra", pensou ele, "e Deus diz, 'Ai vais tu. Tu já foste recompensado'." Assim ele recusou até mesmo a ter a medalha presa na sua velha batina.

John Baptist Vianney (Curé d'Ars), Priest (RM)Quando lhe deram os últimos sacramentos no seu leito de morte, pelo Bispo Chalandon, João Vianney disse, "Como é triste receber a sagrada comunhão pela última vez." Ele morreu às 2:00 da manhã enquanto uma trovoada abalou os céus; a própria natureza estava chateada com a sua morte (Attwater, Beneditinos, Bentley, Delaney, Enciclopédia, Walsh,).

Dois pequenos sermões muito edificantes por São João Vianney que esteve frequentemente sujeito aos ataques diabólicos durante um período de 30 anos:

Nós não somos nada por nós mesmos.

A tentação é necessária para nos fazer perceber que nós não somos nada por nós  mesmos.  Santo Agostinho nos diz que deveríamos agradecer a Deus tanto pelos pecados dos quais ele nos preservou como pelos que Ele teve a caridade de nos perdoar.  Se temos o infortúnio de cair tão frequentemente nas armadilhas do diabo, contamos mais uma vez demasiado com as nossas próprias resoluções e promessas e muito pouco com a força de Deus. Isto é muito verdade.

"Quando não fazemos nada de que nos envergonhemos, quando tudo corre de acordo com os nossos desejos, ousamos acreditar que nada nos pode fazer cair. Esquecemo-nos do nosso nada e da nossa absoluta fraqueza.  Fazemos os protestos mais encantadores de que estamos prontos antes a morrer do que a permitir que sejamos conquistados.  Nós vemos um exemplo esplêndido disto em São Pedro, que disse a Nosso Senhor que embora todos os outros pudessem escandaliza-Lo, contudo ele nunca O negaria.

"Enfim! Para mostrar-lhe como o Homem, deixado à sua própria mercê, não é nada, Deus fez uso, não de reis ou príncipes ou armas, mas simplesmente da voz duma serva criada, que parecia até mesmo falar-lhe duma forma muito indiferente. Um momento atrás, ele estava pronto para morrer por Ele, e agora Pedro protestava que nem sequer o conhecia, que não sabia de quem estavam a falar. Para os assegurar ainda mais veementemente que não o conhecia, ele fez um juramento. Santo Deus, do que somos capazes quando somos deixados entregues a nós mesmos!

Existem alguns que, nas suas próprias, têm inveja dos santos que fizeram grandes penitências.  Eles acreditam que poderiam ter feito o mesmo.  Quando lemos as vidas de alguns dos mártires, nós estaríamos, pensamos nós, prontos a sofrer tudo aquilo que eles sofreram por Deus; o momento é de curta duração, nós dizemos, por uma eternidade de recompensa.  Mas o que faz Deus para nos ensinar a conhecer-nos ou, para nos mostrar que não somos nada? Isto é tudo o que Ele faz: Ele permite que o diabo se aproxime de nós.  Olhe para este Cristão que há um momento atrás estava bastante invejoso do eremita que se mantinha apenas de raízes e ervas e que tomou a dura decisão de tratar o seu corpo severamente.  Ai! Uma leve dor de cabeça, uma picada dum alfinete, o torna tão grande e forte como ele é, arrependido.  Ele chora com dores.  Ele chora com dor.  Um momento atrás ele teria estado disposto a fazer todas as penitências - e a mínima ninharia o faz desesperar!

"Veja este outro, que parece querer dar toda a sua vida a Deus, cujo ardor nenhum dos tormentos pode acalmar.  Um pedaço minúsculo de escândalo. . .  uma palavra de calúnia. . .  até mesmo uma recepção ligeiramente fria ou uma pequena injustiça feita . . .  uma bondade devolvida com ingratidão. . . imediatamente dá à luz nele sentimentos de ódio, de vingança, de antipatia, ao ponto, de frequentemente, desejar nunca mais voltar a ver o seu vizinho ou pelo menos de tratá-lo com frieza, com um ar que mostra claramente o que vai no seu coração.  E quantas vezes é este o seu pensamento ao acordar, tal como era este o pensamento que quase o impediu de dormir? Enfim, meus queridos irmãos, nós somos material pobre, e devíamos contar muito pouco com as nossas boas resoluções!"

Certifique-se de que não tem nenhuma tentação
“Quem persegue mais o diabo? Talvez esteja pensando que são aqueles que são mais tentados; estes seriam indubitavelmente os bêbedos habituais, o escandalosos, as pessoas imodestas e sem vergonha que se espojam numa moral suja, e o avarento que acumula de todas as maneiras.  Não, meus queridos irmãos, não, não são estas pessoas.  Seu mau exemplo arrastará almas para o Inferno. Realmente, se o diabo tivesse perseguido este velho companheiro lascivo e sem vergonha muito de perto, ele poderia ter encurtado a sua vida em quinze ou vinte anos, e não teria então destruído a virgindade daquela jovem menina mergulhando-a no lodo indizível das suas indecências; ele não teria, ainda, seduzido aquela esposa, nem teria ensinado as suas más lições àquele jovem que as continuará a praticar talvez até à sua morte.  Se o diabo tivesse incitado este ladrão a roubar em todas as ocasiões, ele teria terminado há muito tempo pois teria então caído no cadafalso e assim ele não teria induzido o seu vizinho a seguir o seu exemplo. Se o diabo tivesse incentivado este bêbedo a encher-se incessantemente de vinho, ele teria perecido há muito tempo nos seus deboches em vez de, vivendo mais tempo, tornar muitos outros como ele.  Se o diabo tivesse tomado a vida deste músico, daquele dono de salão de festas, deste guarda de cabaré, nalguma invasão ou luta, ou em qualquer outra ocasião, quantas almas lá estariam que, sem estas pessoas, não seriam condenadas e que agora serão) Santo Agostinho ensina-nos que o diabo não aborrece muito estas pessoas; pelo contrário, ele despreza-os e cospe neles.

"Então, você me perguntará, quem são então as pessoas mais tentadas? Eles são estes, meus amigos; note-os cuidadosamente:  As pessoas mais tentadas são aquelas que estão prontas, com a graça de Deus, a sacrificar tudo pela a salvação das suas pobres almas que renunciam todas as coisas que a maioria das pessoas buscam avidamente.  Não é apenas um demónio que as tenta, mas sim milhões que buscam atrai-los.

"Disseram-nos  que São Francis de Assis e todos os seu religiosos se juntaram numa planície aberta onde tinham construído pequenas cabanas de junco.  Vendo as penitências extraordinárias que estavam sendo praticadas, São Francisco ordenou que todos os instrumentos de penitência fossem trazidos, de onde os seus religiosos os produziam em grandes quantidades.  Neste momento havia um jovem homem a quem Deus deu a graça de ver o seu anjo da guarda.  Dum lado ele viu todos estes bons religiosos que não podiam satisfazer a sua fome, como penitência e, do outro, o seu anjo da guarda permitiu-lhe ver um ajuntamento de dezoito mil demónios que estavam reunidos para deliberar de que modo eles poderiam subverter estes religiosos através da tentação. Um dos demónios disse: 'Você não entende nada disto.  Estes religiosos são tão humildes; ah, que virtude maravilhosa, tão separado deles mesmos , tão agarrados a Deus! Eles têm um superior que os conduz tão bem que é impossível ter sucesso em vencê-los.  Esperemos até à morte do seu superior, e então tentaremos introduzir entre eles pessoas jovens sem vocações que provocarão um certo afrouxando de espírito, e deste modo nós os venceremos.'

"Um pouco mais adiante, quando ele entrou na cidade, ele viu um demónio, sentado perante ele atrás do portão da cidade, cuja tarefa era tentar todos os que estavam lá dentro. Este santo perguntou ao seu anjo da guarda porque é que para tentar este grupo de religiosos havia tantos milhares de demónios enquanto para uma cidade inteira havia apenas um, e esse mesmo estava sentado.  O seu bom anjo disse-lhe que as pessoas da cidade não tinham a mesma necessidade de tentações, que eles já tinham bastante mal em si mesmos, enquanto os religiosos faziam o bem, apesar de todas as armadilhas que o diabo pudesse lançar-lhes.

"A primeira tentação, meus queridos irmãos, que o diabo experimenta em qualquer um que tenha começado a servir melhor a Deus é no assunto do respeito humano.  Ele já não ousará ser visto a rondar; ele esconder-se-á daqueles com quem ele antes tinha estado misturado procurando prazer.  Se vos dissessem que tínheis mudado muito, ficaríeis envergonhados disso! O que dirão as pessoas sobre vós está continuamente nas vossas mentes, ao ponto de já não terem coragem suficiente para fazer o bem ás outras pessoas. Se o diabo não vos puder recuperar pelo respeito humano, ele vos induzirá um extraordinário medo para vos convencer de que as vossas confissões não são boas, que o vosso confessor não vos entende, que tudo o que fizerdes será tudo em vão, que vós sereis condenados na mesma, que alcançareis o mesmo resultado no fim, deixando tudo correr em vez de lutar, porque as ocasiões de pecado serão demasiadas para vós.

"Por que é, meus queridos irmãos que quando uma pessoa não pensa sequer uma vez em poupar a sua alma, quando vive em pecado, esta não é minimamente tentada, mas assim que esta queira mudar a sua vida, por outras palavras, assim que esta deseja dar a sua vida para que Deus venha até si, todo o inferno cai em cima dela? Ouça o que Santo Agostinho tem para dizer: 'Vejam o modo', diz-nos ele, 'como o diabo se comporta perante o pecador.  Ele age como um carcereiro que tem um grande numero de prisioneiros trancados na sua prisão, mas que, por ter a chave no seu bolso, está bastante contente em deixá-los, seguro de saber que eles não podem sair.  Este é o seu modo de lidar com o pecador que não considera a possibilidade de deixar de pecar. Ele não se dá ao trabalho de o tentar. Ele vê nisso tempo desperdiçado, porque não só o pecador não pensa em deixá-lo, mas também o diabo não deseja multiplicar as suas correias.  Seria então insensato tentá-lo. Ele permite-lhe viver em paz, se é que de facto seja possível,  viver em paz quando a pessoa está em pecado. Ele esconde o estado do pecador o mais possível até à morte, quando ele tenta então pintar um quadro da sua vida tão aterrador que o mergulha em desespero.  Mas com alguém que tenha decidido mudar a sua vida, e dar-se a Deus, isso já é outra coisa.' "Enquanto Santo Agostinho viveu em pecado e no mal, ele não estava consciente de alguma coisa pelo qual pudesse ser tentado.  Ele acreditava que estava em paz, como ele mesmo nos diz.  Mas a partir do momento em que ele desejou virar as costas ao diabo, ele teve que lutar com ele, mesmo até ao ponto de perder o fôlego na luta.  E isso durou por cinco anos.  Ele lamentou-se com as mais amargas lágrimas e empregou as mais austeras das penitências: 'Eu discuti com ele', diz ele, 'acerca das minhas correias.  Um dia eu me julguei vitorioso, logo a seguir, eu estava novamente prostrado na terra.  Esta guerra cruel e teimosa durou por cinco anos.  Porém, Deus me deu a graça da vitória sobre o meu inimigo.'

Também se pode ver, a luta que São Jerónimo suportou quando desejou dar-se a Deus e quando teve o pensamento de visitar a Terra Santa. Quando ele estava em Roma, concebeu um novo desejo de trabalhar para a sua salvação.  Deixando Roma, ele enterrou-se num medonho deserto para se entregar a tudo a que o seu amor por Deus o pudesse inspirar. Então, o diabo que previu o quão grandiosamente a sua conversão afectaria os outros, parecia explodir de fúria e desespero.  Não houve uma única tentação a que ele o poupasse. Não acredito que haja outro santo que tenha sido tão fortemente tentado como ele. Eis como ele escreveu a um dos seus amigos:

'Meu querido amigo, desejo confiar-vos a minha aflição e o estado a que o diabo me procura reduzir. Quantas vezes nesta vasta solidão, que o calor do sol torna insuportável, os prazeres de Roma vieram assaltar-me! A tristeza e a amargura com que a minha alma está cheia levam-me, noite e dia, a derramar enchentes de  lágrimas.  Eu tento esconder-me nos locais mais isolados para lutar contra as minhas tentações e ai lamentar os meus pecados.  O meu corpo está todo desfigurados e coberto com uma camisola de pêlo áspera.  Eu não tenho nenhuma outra cama senão o chão nu e a minha única comida são raízes grossas e água, até mesmo nas minhas doenças.  Apesar de todos estes rigores, o meu corpo experimenta ainda pensamentos dos prazeres esquálidos com que Roma é envenenada; o meu espírito encontra-se no meio dessas companhias prazenteiras nas quais eu muito ofendi a Deus. Neste deserto ao qual eu me condenei para evitar o Inferno, entre estas pedras sombrias onde não tenho outros companheiros senão os escorpiões e as bestas selvagens, o meu espírito ainda queima o meu corpo, já morto antes de mim, com um fogo impuro; o diabo ainda ousa oferecer-me os seus prazeres a provar.  Eu vejo-me assim tão humilhado por estas tentações, das quais o menor pensamento me faz morrer de horror, e não sabendo que mais severidades eu deva exercer no meu corpo para o prender a Deus, que me atiro ao chão aos pés do meu crucifixo, banhando-o com as minhas lágrimas, e quando não posso mais lamentar-me, apanho pedras e bato com elas no meu peito até que o sangue saia da minha boca, implorando misericórdia até que Deus tenha pena de mim. Existe alguém que possa entender a miséria do meu estado, enquanto desejo tão ardentemente agradar a Deus e amar apenas a Ele? Ainda assim eu me vejo constantemente propenso a ofendê-lo. Que tristeza isto é para mim! Ajude-me, meu querido amigo, através das suas orações, de forma que eu possa ser mais forte ao repelir o diabo, que jurou a minha condenação eterna. '

"Estas, meus queridos irmãos, são as lutas às quais Deus permite que os seus grandes santos sejam expostos.  Ai de nós! Como seremos dignos da compaixão se não tivermos sido ferozmente assaltados pelo diabo! De acordo com todas as aparências, somos os amigos do diabo: ele deixa-nos viver numa falsa paz, ele embala-nos sob a pretensão de que dissemos algumas boas orações, demos algumas esmolas, que fizemos menos mal do que os outros.  De acordo com o nosso estado, meus queridos irmãos, se perguntásseis, por exemplo, a este pilar de cabaré se o diabo o tentou, ele responderia muito simplesmente que absolutamente nada o aborrece. Pergunte a esta jovem, esta filha da vaidade, como são as suas lutas, e ela dir-lhe-ia rindo que não tem nenhuma, que ela nem sabe o que é ser tentada.  Assim vedes, meus queridos irmãos, que a mais terrível tentação de todas, é não ser tentado.  Assim vedes o estado daqueles a quem o diabo está reservando para o Inferno. Se eu me atrevesse, eu dir-vos-ia que ele tem muito cuidado para não tentar ou atormentar tais pessoas sobre as suas vidas passadas, para que os seus olhos não se abram aos seus pecados.

"O maior de todos os males é não ser tentado porque então há razões para acreditar que o diabo olha para nós como sendo sua propriedade e que está apenas à espera das nossas mortes para nos arrastar para o Inferno. Nada poderia ser mais fácil de entender.  Considerai apenas o Cristão que tenta, mesmo de uma pequena forma, poupar a sua alma.  Tudo ao seu redor o inclina para o mal; ele mal pode erguer os seus olhos sem ser tentado, apesar de todas as suas orações e penitências.  E um pecador endurecido que durante os últimos vinte anos se tem mergulhado em pecado, ainda lhe dirá que não é tentado! Tanto pior, meu amigo, tanto pior! Isso é precisamente o que o deveria fazer tremer - que você não saiba o que são tentações. Pois dizer que não se é tentado é como dizer que o diabo não existe ou que ele perdeu toda a sua raiva contra as almas Cristãs.  'Se não tens tentações', São Gregório diz-nos, 'é porque os demónios são teus amigos, teus líderes, e teus pastores.  E permitindo que passes a tua pobre vida tranquila, no fim dos teus dias, eles te arrastarão pelas profundezas abaixo.' Santo Agostinho diz-nos que a maior tentação é não ter tentações porque isto significa que essa pessoa é uma pessoa que foi rejeitada, abandonada por Deus, e deixada completamente nas garras das suas próprias paixões."


JOÃO MARIA VIANNEY

Também conhecido como

Cura de Ars; Jean Baptiste Marie Vianney; Jean Marie Baptiste Vianney; Jean-Baptiste Vianney; João Baptista Vianney; João Vianney

Comemoração

4 de Agosto

Perfil

Fazendeiro que na sua mocidade dele ensinou a outras crianças as suas orações e o catecismo.  Padre aos 30 anos, apesar de ter estudado durante muitos anos, ele não era um estudante muito bom, e o seu latim era terrível.  Nomeado para a paróquia de Ars, uma aldeia minúscula perto de Lyons, que sofria duma grande falta de frequência; ele começou por visitar os seus paroquianos, especialmente os doentes e os pobres.

Passava os dias em oração, fazendo penitência pelos seus paroquianos.  Dotado discernimento de espírito, profecia, conhecimento escondido.  Atormentado pelos espíritos malignos, especialmente quando tentava fazer as suas 2-3 horas de sono cada noite.  Centenas de pessoas vieram para ouvi-lo pregar, e para fazer a sua reconciliação por causa da reputação dele com os penitentes.  Passou 40 anos como o padre da paróquia.

Nasceu

1786 em Dardilly, Lyons, França

Faleceu

4 de Agosto de 1859

Canonizado

1925

Significado do seu nome

Deus é amável

Patronato

Arquidiocese de Dubuque Iowa, confessores, diocese de Kansas City- Kansas, padres


Orações

Ladainha de Santa Filomena

Leituras

Toda a nossa religião não passa duma falsa religião, e todas as nossas virtudes são meras ilusões e nós mesmos somos apenas hipócritas à vista de Deus, se não tivermos aquela caridade universal por toda a gente – pelos bons e pelos maus, pelos pobres e pelos ricos, e para todos esses que nos causam dano, tanto quanto para os que nos fazem o bem.

São João Vianney

Se as pessoas fizessem por Deus aquilo que fazem pelo mundo, que grande número de cristãos iria para o Céu.

São João Vianney

Ou se pertence completamente ao mundo ou completamente a Deus.

São João Vianney

Digo-vos que tendes menos a sofrer seguindo a Cruz do que servindo ao mundo e aos seus prazeres.

São João Vianney

Não se pode agradar Deus e ao mundo ao mesmo tempo, Eles são totalmente opostos um ao outro nos seus pensamentos, nos seus desejos, e nas suas acções.

São João Vianney

Devemos sempre escolher o mais perfeito.  Dois bons trabalhos se apresentam para ser feitos, um em favor duma pessoa que nós amamos, o outro em favor duma pessoa que causou algum mal.  Bem, nós devemos dar preferência ao ultimo.

São João Vianney

Deveríamos considerar esses momentos passados perante o Santíssimo Sacramento os

mais felizes das nossas vidas.

São João Vianney


Meus filhinhos, reflictam nestas palavras: o tesouro do Cristão não está na terra mas sim no Céu. Os nossos pensamentos, deveriam então, ser dirigidos para onde o nosso tesouro está.  Este é o dever glorioso do homem: rezar e amar.  Se rezares e amares, é aí que a felicidade está.

A oração nada mais é senão a união com Deus. Nesta intima união, Deus e a alma fundem-se em dois pedaços de cera que ninguém pode mais separar.  Esta união de deus com uma criatura minúscula é uma coisa adorável.  É uma felicidade para além da compreensão.

Meus filhinhos, os vossos corações, são pequenos, mas a oração alarga-os e torna-os capazes de amar a Deu. Pela oração recebemos uma antevisão do gosto do céu e um pouco do paraíso desce sobre nós.  A oração nunca nos deixa sem doçura. É mel que flúi nas almas e torna todas as coisas doces.  Quando rezarmos correctamente, as tristezas desaparecem como a neve perante o sol.

Alguns imergem-se tão profundamente na oração como o  peixe na água, porque se dão totalmente a Deus. oh, como eu amo estas almas nobres!

O quão distintas somos delas! Com que frequência vimos à igreja sem ideia do que vimos fazer ou o do que pedir. E ainda pior, alguns parecem falar para o bom Deus assim: "Dir-te-ei apenas algumas coisas, e depois livrar-me-ei de ti." Eu penso muitas vezes que quando viéssemos adorar o Senhor, receberíamos tudo que nós pedimos, se lhe pedíssemos com fé viva e com um coração puro.

Das instruções de catecismo de São João Maria Vianney

A oração é o banho interior de amor no qual a alma se mergulha.

São João Vianney