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A História de Santa Filomena |
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Três diferentes indivíduos de diferentes partes de Itália, e completamente desconhecidos uns dos outros, começaram a receber detalhes da vida de Sta. Filomena através de vários modos de revelação privada. As mais conhecidas destas eram a locuções recebidas pela Madre Luísa de Jesus, em Agosto de 1833. Estas locuções foram concedidas ao Imprimátur oficial do Santo Oficio, nesse mesmo ano, a 21 de Dezembro de 1833. A Madre Luísa tinha estado a rezar perante uma estátua de Sta. Filomena quando lhe pareceu ter ouvido uma voz dizendo a data específica da morte (10 de Agosto) de Filomena e detalhes específicos da sua viagem de Roma para Mugnano, detalhes até então desconhecidos do público. A Madre Luísa, temendo estar a sofrer uma ilusão, aumentou a sua oração e jejum. Sob obediência da sua Superiora, em quem tinha confiado, ela conservou silêncio absoluto durante as revelações. A Superiora da Madre Luísa escreveu então a Fr. Di Lúcia, informando as revelações e pedindo-lhe que confirmasse a veracidade dos detalhes específicos revelados por Sta. Filomena. Fr. Di Lúcia confirmou todos os detalhes e pediu que a freira "estivesse aberta" a qualquer revelação adicional que pertencesse à vida de Sta. Filomena. Novamente sob obediência, a Madre Luísa rezou a Sta. Filomena para mais informações e imediatamente a "mesma voz" começou a revelar os factos históricos da vida da mártir do 2º século. O seguinte é o resumo da vida de Sta. Filomena como retirado do resumo oficial da Relazione Istorici di Santa Filomena do Pe. Di Lúcia e dos subsequentes anais. Minha querida irmã, eu sou a filha de um Príncipe que governou um pequeno estado na Grécia. A minha mãe também era de sangue real. Os meus pais não tinham filhos. Eles eram idólatras. Ofereciam sacrifícios e orações continuamente aos seus falsos deuses. Um doutor de Roma, de nome Publius, morava no palácio ao serviço do meu pai. Este doutor professava o Cristianismo. Vendo a aflição dos meus pais, pelo impulso do Espírito Santo, falou com eles acerca do Cristianismo e prometeu rezar por eles se eles consentissem receber o Baptismo. A graça que acompanhou as palavras dele iluminou a compreensão deles e triunfou sobre a sua vontade. Eles tornaram-se cristãos recompensa da sua conversão. No momento do meu nascimento, eles deram-me o nome de "Lumina", uma alusão à luz da Fé da qual eu tinha nascido, como sendo o seu fruto. No dia do meu Baptismo eles chamaram-me "Philomena." Filha da Luz, porque naquele dia eu nasci para a Fé. O afecto que os meus pais me davam era tão grande que eles queriam-me sempre com eles. Foi nesta sequência que eles me levaram para Roma numa viagem que o meu pai foi obrigado a fazer na ocasião duma guerra injusta em que ele foi ameaçado pelo arrogante Imperador Romano do Terceiro Século. Eu tinha então treze anos. Na nossa chegada à capital do mundo, seguimos para o palácio do Imperador e fomos admitidos para uma audiência. Assim que o Imperador Romano do Terceiro Século me viu, os olhos dele fixaram-se em mim. Ele parecia estar possuído desta forma durante todo o tempo que o meu pai manifestava com sentimentos animados tudo o que poderia servir para a sua defesa dele. Assim que o pai deixou de falar, o Imperador desejou que ele não fosse mais perturbado, esquecesse todo o passado, que pensasse apenas em viver em felicidade. Estas foram as palavras do Imperador, "eu colocarei toda a força do Império à sua disposição. Só lhe peço uma coisa que é a mão da sua filha." O meu pai ficou deslumbrado com uma honra que estava longe de esperar, aceitou logo de boa vontade, a proposta do Imperador. Quando voltámos à nossa própria residência, o Pai e a Mãe fizeram tudo o que puderam para me induzir a render-me ao desejo do Imperador Romano do Terceiro Século e aos seus. Eu chorei. "Deseja que pelo amor a um homem eu quebre a promessa que fiz a Jesus Cristo? A minha virgindade pertence-lhe. Eu já não posso dispor dela." "Mas você era jovem, demasiado jovem", respondeu o meu pai, “para ter formado um tal compromisso." Ele uniu as ameaças mais terríveis à ordem que me deu de aceitar a mão do Imperador Romano do Terceiro Século. A graça do meu Deus me fez invencível. O meu pai, não podendo fazer o Imperador retroceder, de forma a livrar-se da promessa tinha feito, foi obrigado pelo Imperador Romano do Terceiro Século a trazer-me para a Câmara Imperial. Eu tive de resistir de antemão por algum tempo, um novo ataque de ira do meu pai. A minha mãe, unindo esforços aos seus, empreendia para me convencer. Carícias, ameaças, tudo foi empregue para me reduzir à complacência. Por fim, vi os meus pais cair aos meus pés e dizer-me de lágrimas nos olhos, "Minha filha, tenha piedade de seu pai, sua mãe, seu país, nosso país, nossos súbditos". "Não, não!" Eu respondi. " A minha virgindade, que eu jurei a Deus, vem antes de tudo, antes de vocês, antes do meu país. O meu reino é o Céu." As minhas palavras mergulharam-nos em desespero e eles levaram-me perante o Imperador que, da sua parte, fez tudo o que estava ao seu alcance para me ganhar. Mas as suas promessas, os seus engodos, as suas ameaças, eram igualmente inúteis. Ele teve então um violento acesso de raiva e, influenciado pelo maligno, lançou-me numa das prisões do palácio onde fui carregada com cadeias. Pensando que a dor e a vergonha debilitariam a minha coragem com que o meu Divino Esposo me inspirou, ele vinha ver-me diariamente. Depois de vários dias, o Imperador emitiu uma ordem para que as minhas cadeias fossem soltas para que eu pudesse tomar um pouco de pão e água. Ele renovou os seus ataques, alguns dos quais, se não fosse pela graça de Deus, teriam sido fatais para a pureza. As derrotas que ele sempre experimentou eram para mim prelúdios para novas torturas. A oração deu-me forças. Eu nunca deixei de me recomendar a Jesus e à sua puríssima Mãe. O Meu cativeiro durou trinta e sete dias. Então, no meio duma luz divina eu vi Maria que segura o seu Divino filho nos braços. "Minha filha." Disse-me ela, "mais três dias de prisão e depois de quarenta dias deixarás este estado de dor." Tais alegres notícias renovaram a minha coragem para me preparar para o assustador combate que me esperava. A Rainha do Céu fez-me lembrar o nome que eu tinha recebido no Baptismo, dizendo, "Você é Lumina, como o teu esposo é chamado de Luz ou Sol. Não temas, eu ajudar-te-ei. Agora, a natureza cuja fraqueza se afirma, humilha-te. No momento da luta, a graça virá sobre ti para te dar a sua força. O anjo que também é o meu, Gabriel, cujo nome expressa a força, virá em teu socorro. Eu recomendar-te-ei especialmente ao seu cuidado". A visão desapareceu deixando a prisão perfumada com uma fragrância como o incenso. Eu experimentei uma alegria fora deste mundo. Algo indefinível. O que a Rainha dos Anjos tinha preparado para mim foi em breve experiênciado. O Imperador Romano do Terceiro Século, desesperando de me dobrar, decidiu ofender a minha virtude com o castigo publico virtude. Ele condenou-me a ser despojada e açoitada como o Esposo que eu preferi a ele. Estas eram as suas palavras horríveis, "Já que ela não tem vergonha de preferir a um Imperador como eu, um malfeitor condenado a uma morte infame pelo seu próprio povo, ela merece que a minha justiça a trate como ele foi tratado". Os guardas da prisão hesitaram em despir-me completamente, mas amarraram-me a uma coluna na presença dos grandes homens do tribunal. Eles chicotearam-me com violência até que eu estar banhada em sangue. O meu corpo inteiro sentia-se como uma chaga aberta mas eu não desfaleci. O tirano mandou arrastar-me de volta para o calabouço esperando que eu morresse. Eu esperava unir-me ao meu Divino Esposo. Dois anjos brilhando de luz apareceram-me na escuridão. Eles verteram um bálsamo calmante nas minhas feridas, deixando em mim um vigor que eu não tinha antes da tortura. Quando o Imperador foi informado da mudança que tinha acontecido comigo, mandou-me trazer perante ele. Ele olhou-me com um desejo ganancioso e tentou persuadir-me que eu devia a minha cura e a recuperação do vigor a Júpiter, outro deus que ele, o Imperador, me tinha enviado. Ele tentou impressionar-me com a sua convicção de que Júpiter desejava que eu fosse a Imperatriz de Roma, juntando a estas palavras sedutoras de promessas de grande honra, inclusive as palavras mais lisonjeiras. O Imperador Romano do Terceiro Século tentou acariciar-me. Amigavelmente, ele tentou completar o trabalho do Inferno que ele tinha começado. O Divino Espírito a quem eu devo a constância de preservar a minha pureza parecia encher-me de luz e conhecimento. Nem o Imperador Romano do Terceiro Século, nem os seus cortesãos podiam achar uma solução para todas as provas que eu dei da solidez da nossa Fé. Então o Imperador frenético veio contra mim, comandando um guarda de atar uma âncora à volta do meu pescoço e de me precipitar no fundo das águas do Tibre. A ordem foi executada. Eu fui lançada à água, mas Deus enviou-me dois anjos que desataram a âncora. Esta caiu na lama do rio onde permanece, sem dúvida, até ao tempo presente. Os anjos transportaram-me gentilmente à vista da multidão que estava na margem. Eu voltei sã e salva, nem mesmo molhada, depois de ter sido mergulhada com a pesada âncora. Quando um grito de alegria se levantou dos observadores na margem, e tantos abraçaram o Cristianismo proclamando a sua crença no meu Deus, à magia secreta. Então o Imperador mandou arrastarem-me pelas ruas de Roma e atirar em mim com uma chuva de setas. O meu sangue fluiu mas eu não desfaleci. O Imperador Romano do Terceiro Século pensou que eu estava a morrer e mandou que os guardas me levassem de volta para o calabouço. Lá o Céu honrou-me com um novo favor. Eu entrei num doce sono. Pela segunda vez o tirano tentou que me perfurassem com dardos mais afiados. Novamente os arqueiros dobraram seus os arcos. Eles juntaram todas as suas forças mas as setas recusaram-se a seguir as sua intenções. O Imperador estava presente. Cheio de raiva, ele chamou-me feiticeira e, pensando que a acção do fogo pudesse destruir o encanto, ordenou os dardos fossem aquecidos num forno e dirigidos contra o meu coração. Foi feito aquilo que ele mandou. Mas estes dardos, após terem atravessado parte do espaço que iriam cruzar para chegar até mim, levaram uma direcção bastante contrária e voltaram para golpear aqueles por quem eles tinham sido lançados. Cinco dos arqueiros foram mortos por eles. Vários entre eles renunciaram ao paganismo. As pessoas começaram a dar testemunho público do poder de Deus que me protegeu. Estes murmúrios e aclamações enfureceram o tirano. Ele determinou acelerar a minha morte cortando o meu pescoço com uma lança. A minha alma levantou voo para o meu Divino Esposo que me colocou a coroa da virgindade e a palma do martírio num lugar distinto entres os eleitos. O dia que foi tão feliz para mim e me viu entrar em glória era sexta-feira, a terceira hora depois do meio-dia, a mesma hora que viu o meu Divino Mestre expirar. O que é notável numa perspectiva histórica não é apenas que esta revelação foi confirmada por dois outros indivíduos desconhecidos um do outro, (um era padre, o outro era historiador), mas são estes outros factos históricos confirmatórios: 1) o Imperador Romano do Terceiro Século era conhecido por executar os cristãos pelo uso de setas, um exemplo foi S. Sebastião; 2) o Imperador Romano do Terceiro Século também era conhecido por matar cristãos amarrando âncoras ao redor dos seus pescoços e lançando-os á água; 3) a referência a "Lumena"- o nome que lhe foi dado ao nascer, "Luz"- e então no Baptismo, "Fi Lumena", "Filha da Luz", podem explicar a ordem das placas encontradas na sepultura ("Lumena", o seu primeiro nome, estava na primeira placa). |